sexta-feira, 23 de março de 2012

Razões para tirar um filho de uma escola Waldorf – Parte 1

vestibular Penso que os argumentos contra um aluno fazer o ensino médio em uma escola Waldorf sejam os seguintes:

- As escolas Waldorf não preparam para os exames vestibulares.

- As escolas Waldorf dão mais ênfase a matérias não científicas.

- As escolas Waldorf não preparam os alunos para enfrentar o mercado de trabalho.

- As escolas Waldorf apresentam um ambiente irreal.

Exame dos argumentos

1) A questão dos exames vestibulares

A primeira consideração que se deve fazer é que esses exames são uma realidade, mas são absurdos. Depois de ter experiência de ensino universitário na USP desde 1964 considero que o resultado do vestibular não tem quase nada a ver com o desempenho do aluno na faculdade. Em outras palavras, passar um vestibular não é garantia de que o jovem será um bom aluno na universidade. Pior, não é em absoluto garantia de que ele será posteriormente um bom profissional. A única coisa que um vestibular garante é que o jovem que o passou sabia responder as perguntas específicas daquele exame melhor do que outros jovens. É praticamente garantido que, passados alguns meses sem a continuidade do preparo para o exame, o desempenho será totalmente diferente, isto é, muito pior. Também é praticamente garantido que os professores universitários não passariam um vestibular concorrido sem que se preparassem para ele. Em outras palavras, o conhecimento necessário para passar um vestibular é momentâneo e não tem quase nada a ver com a vida acadêmica e profissional posterior.

Se uma escola é especializada em preparar para vestibulares específicos, ela se torna também um absurdo. O que o jovem deve ter é uma formação geral, e não uma formação específica. Mas formação geral significa o desenvolvimento global em conhecimento, em maturidade e em capacidade em três áreas absolutamente fundamentais: as áreas intelectual, artística/artesanal e social. Para os exames vestibulares, apenas o desenvolvimento intelectual é essencial; com um bom desenvolvimento nessa área, um semestre ou dois de cursinho preparatório razoável colocam dentro de qualquer faculdade qualquer aluno com capacidade de estudo.

Por que as outras duas áreas, a artística/artesanal e a social são essenciais? Acontece que o ser humano não é só intelecto. A atividade artística está relacionada com dois aspectos fundamentais: a sensibilidade artística, isto é, para com o belo, e a capacidade criativa. Criatividade é baseada em fantasia, isto é, ter novas ideias, e na capacidade de concretizá-las no mundo real. Ora, fantasia tem que ser desenvolvida e exercida em um ambiente mal definido, como é justamente o ambiente sobre o qual se exerce qualquer atividade artística, contrariamente ao ambiente científico ou intelectual apresentado aos alunos nesse nível. Em geral, os professores de ciências tendem a passar uma imagem de conhecimento absoluto da ciência. Por exemplo, pergunto aos meus leitores: quantos de vocês aprenderam no ensino médio que um átomo não é um sistema planetário, com os elétrons girando em torno do núcleo? Como eles têm carga elétrica, a aceleração para mudarem de direção produziria irradiação eletromagnética, com isso eles iriam perder energia e deveriam cair no núcleo em um movimento espiral. Gostaria imensamente de conhecer pessoas cujos professores lhes tivessem ensinado, no ensino médio, que não se sabe o que é um elétron e nem um átomo. Essa imagem de conhecimento absoluto da ciência é extremamente prejudicial, apassivadora (tudo o que o professor diz na aula é transmitido e absorvido como verdade), e produz um intelecto rígido.

Compare-se o tipo de conhecimento intelectual (também usado em outras áreas, como a história, se é que ela é ensinada, se não é pedida no vestibular), com o de uma arte como o teatro. Dado um texto teatral, ele pode ser interpretado com entonações de voz e com gestos de infinitas maneiras diferentes, o que é denominado de ‘subtexto’, pois não consta explicitamente do texto. Na atuação numa peça teatral nada é rígido, tudo tem que ser imaginado e interpretado. Essa imaginação e essa liberdade simplesmente não existem no aprendizado de matérias intelectuais onde, seguindo os passos da ciência, procura-se formalizar tudo. Com isso, cria-se um modelo da natureza simplificado e, portanto, absolutamente irreal, pois a realidade é extremamente complexa. Toda ciência, ao ser expressa conceitualmente, tem que necessariamente simplificar a realidade, isto é, afastar-se dela. Pode ser que o ensino universitário também seja mentalmente castrador, e não dê margem para a criatividade, o que é muito comum. No entanto, o que é importante na posterior vida profissional é justamente a criatividade, precisamente aquilo que a atividade artística desenvolve. Uma outra consequência da atividade artística é que a sensibilidade assim desenvolvida leva a uma sensibilidade social pois, como nas artes, o ser humano também é mal definido e imprevisível.

Ter sensibilidade social significa perceber as necessidades e capacidades das pessoas e conseguir dirigir-se a cada uma individualmente segundo as suas características. A habilidade de atuar em equipe e de liderar, e até mesmo o convívio social depende totalmente dessa sensibilidade. Mas há outra característica social fundamental: a compaixão, isto é, a capacidade de compartilhar o sofrimento do outro. Infelizmente, há dois fatores que produzem uma trágica dessensibilização, impedindo a manifestação da compaixão: a competição e os meios eletrônicos. Competição é absolutamente antissocial: quem ganha fica contente, às custas da frustração e mesmo infelicidade de quem perde. Produzir essa frustração e ficar contente em ter ganho a competição significa dar mais valor à felicidade pessoal do que ao sofrimento do outro. Quem compete não pode ter dó do concorrente. Assim, a competição desenvolve o egoísmo, que é altamente antissocial. O próprio vestibular é uma competição, e seria muito bom que o jovem se conscientizasse o mais tarde possível de que a sociedade é cruel e competitiva. A propósito, a própria vida vai ensinar a competir: não há, em absoluto, necessidade de se ensinar isso na escola, pelo contrário, o que precisamos é o ensino da cooperação. Somente uma sociedade cooperativa poderá reverter a crescente miséria social e individual, fruto do egoísmo e da ambição.

Howard Gardner (Gardner 1995) e Daniel Goleman (1995) mostraram muito bem que a mais importante habilidade para o sucesso profissional não é a técnica, e sim a social. Em particular, Gardner chama a atenção para o fato de as escolas desenvolverem principalmente o que ele denominou de "inteligências lógico-matemática e linguística", as quais ele caracteriza como as menos importantes para um sucesso profissional. A "inteligência emocional" de Goleman (correspondendo à "interpessoal" de Gardner) nada mais é do que o conjunto das habilidades sociais.

Quanto aos meios eletrônicos, a TV e os jogos eletrônicos transmitem uma quantidade enorme de ações antissociais, como por exemplo a violência, sendo que os segundos são muito piores do que a primeira, pois neles não existe condicionamento apenas pela imagem e pelo som, mas também pela ação executada pelo jogador (os jogos mais apreciados, principalmente pelos jovens, são os do tipo ‘mata-mata’). A escola deveria ter hoje em dia uma missão fundamental, muitíssimo mais importante do que o conhecimento teórico que é transmitido: justamente contrabalançar essa dessensibilização fazendo com que os jovens adquiram sensibilidade social e compaixão.

As escolas Waldorf não preparam para os exames vestibulares. Ainda bem! Assim elas podem dar uma formação ampla, intelectual, artística e social, produzindo jovens equilibrados e não pernetas com uma só perna intelectual. No entanto, como mostra tão bem o levantamento estatístico feito por Wanda Ribeiro e Juan Pablo de J. Pereira (Ribeiro, 2007), os alunos Waldorf não têm dificuldades em passar nos vestibulares; certamente os mais concorridos exigirão um semestre ou um ano de cursinho, mas o tipo de ensino daquelas escolas produz um tal desenvolvimento intelectual e uma tal capacidade de concentração e firmeza de objetivos que facilita enormemente o aprendizado compacto do cursinho. O estudo citado mostra também várias características interessantes dos ex-alunos Waldorf. Um outro trabalho nesse sentido é o de Douglas Gerwin e David Mitchell (Gerwin 2007), sobre ex-alunos Waldorf nos EUA. Todos os levantamentos feitos com ex-alunos Waldorf mostram vidas acadêmicas e profissionais posteriores muito boas, praticamente sem problemas de adaptação.

Alguns pais poderiam dizer: "Mas eu não quero que meu filho perca um ano de cursinho!" Acontece que não há nenhuma vantagem em entrar cedo numa faculdade. Pelo contrário, um ou dois anos de espera significarão uma enorme maturidade nos objetivos e na capacidade de estudo. Infelizmente nosso ensino universitário é excessivamente especializado profissionalmente; o ideal seria que todas as universidades tivessem um ou dois anos de ensino básico, e que os alunos pudessem escolher sua especialização profissional quando estivessem mais maduros.

O preparo para um vestibular concorrido significa um esgotamento mental. Se isso for feito durante todo o ensino médio, o aluno entrará na faculdade intelectualmente exausto. Quanto menos ele tiver que se preparar para essa experiência traumatizante, melhor.

Uma pergunta muito interessante é a seguinte: se as escolas Waldorf são independentes, cada uma adotando suas próprias características, por que nenhuma das inúmeras brasileiras (ver o diretório de escolas Waldorf já citado) prepara para o vestibular? Na Alemanha, por exemplo, não há um exame assim, mas há um exame de estado parecido com o ENEM, mas muito mais amplo, e cujo resultado é usado pelas faculdades para selecionar seus alunos, o ‘Abitur’. Pois bem, as escolas Waldorf alemãs terminam o ensino médio, na 12a série, e oferecem um 13o preparatório para o Abitur. Assim, elas podem concluir na 12a série o grandioso currículo introduzido por Rudolf Steiner, que visa o desenvolvimento harmônico do jovem em todos os sentidos. As escolas Waldorf não preparam para o vestibular, pois isso tomaria quase todo o tempo de ensino e do aluno, e seria introduzir uma unilateralidade extremamente prejudicial à formação harmônica dos jovens, produzindo pernetas intelectuais, cabeças ambulantes com pouco ou nenhum coração e sem força de vontade para a ação. Mas não sou contra as escolas Waldorf, por iniciativa dos pais, e administrado essencialmente por estes, introduzirem um cursinho dentro da escola, a ser frequentado pelos alunos formados que querem se preparar para um vestibular. A grande vantagem disso seria, por exemplo, equilibrar um pouco o necessário ensino exclusivamente intelectual, com algumas atividades artísticas. Além disso, poder-se-ia dar ao jovem um ano a mais de um ambiente social sadio.

Valdemar W. Setzer

No próximo post virá o exame do argumento seguinte.

Fonte: http://www.ime.usp.br/~vwsetzer/tirar-de-waldorf.html

Imagem: pedrovaladares.wordpress.com

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Carta de um professor desiludido

bagunça Se a educação, de um modo geral e não apenas a oferecida pelas escolas, não mudar, este país está perdido. Este é um depoimento real de um professor dos nossos dias que retrata perfeitamente o que a maioria dos professores tem de aturar em sala de aula e de pais de alunos.

Professores, uni-vos, façam alguma coisa!

Caro Juremir!

Meu nome é Maurício Girardi. Sou Físico. Pela manhã sou vice-diretor no Colégio Estadual Piratini, em Porto Alegre, onde à noite leciono a disciplina de Física para os três anos do Ensino Médio. Pois bem, olha só o que me aconteceu: estou eu dando aula para uma turma de segundo ano. Era 21/06/11 e talvez pela entrada do inverno, resolveu também ir à aula uma daquelas alunas “turista” que aparece uma que outra vez para “fazer uma social”. Para rever os conhecidos.

Por três vezes tive que pedir licença para a mocinha para poder explicar o conteúdo que abordávamos. Parece que estão fazendo um favor em nos permitir um espaço de fala. Eis que após insistentes pedidos, estando eu no meio de uma explicação que necessitava bastante atenção de todos, toca o celular da menina, interrompendo todo um processo de desenvolvimento de uma idéia e prejudicando o andamento da aula. Mudei o tom do pedido e aconselhei aquela menina que, se objetivo dela não era o de estudar, então que procurasse outro local, que fizesse um curso à distância ou coisa do gênero, pois ali naquela sala estavam pessoas que queriam aprender e que o Colégio é um local onde se vai para estudar. Então, a “estudante” quis argumentar, quando falei que não discutiria com ela. Neste momento tocou o sinal e fui para a troca de turma.

A menina resolveu ir embora e desceu as escadas chorando por ter sido repreendida na frente de colegas. De casa, a mãe da menina ligou para a Escola e falou com o vice-diretor da noite, relatando que tinha conhecidos influentes em Porto Alegre e que aquilo não iria ficar assim. Em nenhum momento procurou escutar a minha versão nem mesmo para dizer, se fosse o caso, que minha postura teria sido errada. Tampouco procurou a diretora da Escola. Qual passo dado pela mãe? Polícia Civil! Isso mesmo, tive que comparecer no dia 13/07/11 na oitava delegacia de polícia de Porto Alegre para prestar esclarecimento por ter constrangido (?) uma adolescente (17 anos), que muito pouco freqüenta a aula e quando o faz é para importunar, atrapalhar seus colegas e professores. A que ponto que chegamos? Isso é um desabafo.

Tenho 39 anos e resolvi ser professor porque sempre gostei de ensinar, de ver alguém se apropriar do conhecimento e crescer. Mas te confesso, está cada vez mais difícil. Sinceramente, acho que é mais um professor que o Estado perde. Tenho outras opções no mercado. Em situações como essa, enxergamos a nossa fragilidade frente ao sistema. Como leitor da tua coluna, e sabendo que abordas com freqüência temas relacionados à educação, te peço que dediques umas linhas a respeito da violência contra o professor.

Parabéns pelo teu trabalho e um grande abraço!

Maurício Girardi

Fonte: http://www.cpers15nucleo.com.br/index.php?id=art892

Imagem: leilacordeiro.blogspot.com

sábado, 11 de fevereiro de 2012

O sorriso dos professores e professoras

 

José María Toro

CriancaSorrindo O sorriso de uma criança que está feliz na escola não tem preço. O sorriso de um professor que é feliz na escola .... isso tampouco tem preço.

O sorriso deve ser considerado um elemento tipicamente escolar, tais como livros, cadernos, lápis e quadros negros. Hoje, talvez mais do que nunca, é preciso devolver o sorriso para os rostos de meninos e meninas e ao semblante de seus professores.

A presença ou não de sorrisos é um dos mais fiéis e sensíveis barômetros para medir o nível de pressão (ou opressão) na atmosfera de una classe. O sorriso é um termômetro preciso que reflete a calidez ou frialdade do encontro humano no qual se mantém um determinado modo de intervenção pedagógica. O sorriso marca nas faces de alunos e professores, de pais e filhos, qual é a temperatura com que se cozinha o processo educativo.

Nossas classes podiam ser entendidas, consideradas e vividas como um campo de cultivo de sorrisos. Fui reconhecendo que, como professor, estava chamado a ser, em certo modo, um semeador de sorrisos, um cultivador de alegrias. Por isso procurava que o primeiro que encontrassem as crianças cada manhã, ao começar uma nova jornada escolar, fosse meu sorriso. Esta era, conscientemente, minha primeira atividade ou lição do dia: a energia do sorriso, o presente do sorriso, a arte de sorrir, mas, sobretudo, o direito ao sorriso.

O sorriso é também uma energia que é preciso atender, enfocar, ativar e cultivar.

O sorriso constitui um extraordinário alimento que há de estar presente e servir-se à mesa de cada dia. É um remédio que atua de maneira fulminante e eficaz, é a vitamina por excelência para nosso coração.

O sorriso aplaina e abre o caminho para chegar aos demais e nos abre suas portas. Desenhar um sorriso no momento do encontro é como dizer: Aqui estou! Quem devolve o sorriso não está senão respondendo: “Passa e entra”. O sorriso põe a chave e abre a porta.

Eu presenteava a meus alunos meu sorriso e eles o devolviam multiplicado. E fomos polindo-os, limpando-os, distinguindo-os desses outros sorrisos moldados pela malicia, sarcasmo, cinismo, mordacidade ou acritude.

Quando um menino ou uma menina sorria ante minha presença sentia que com ele ou ela era toda a Criação, o Universo inteiro o que se regozijava em seu sorriso.

Cada vez que sorria a uma criança lhe estava dizendo: “Gosto de estar aqui”.

Cada vez que uma criança me sorria estava dizendo-me: “Sou feliz estando aqui e contigo”.

Esta é uma das máximas felicidades deste trabalho: escutar como cantam e como riem as crianças que se vão depois de haver passado toda uma manhã contigo.

(Extraído do livro “Educar con Co-razón”. Editorial Desclée)

José María Toro é professor de ensino primário e especialista em criatividade, técnicas de estudo e em distintos âmbitos da Expressão e Comunicação. Autor e palestrante.

Fonte: http://www.enpaz.com/modules.php?name=News&file=article&sid=390

Imagem: camaqua.rs.gov.br

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

ARTE PARA CRIANÇAS...







(Imagem da Prefeitura Municipal de Varginha - Um dos Projetos Infantis aprovado pelo COMIC )

É notável que um grande escritor, antes de mais nada, será sempre o sábio leitor. Aquele que lê, saboreando cada palavra na semântica e na sintaxe, mesmo que imperceptivelmente.

Bem, diante de tal afirmação faz-se necessário, desde a mais tenra idade fazer nossas crianças tomarem contato com textos de excelências, com vocábulos ricos, narrativas detalhadas e ao mesmo tempo que possibilitem subjetividades.

Porém vamos adiante!

Assim como nem só de pão vive o homem, mas também de tudo aquilo que alimenta sua alma, não só a LITERATURA infantil tem que ser de suprema qualidade, mas também a ARTE num contexto mais amplo.

Foi assim que surgiu um material de relevância na área musical, tendo por premissa dois nomes imensos -  EDWARD LEAR e LEWIS CARROLL.

Cid Campos, faz versões de textos destes escritores criando um CD maravilhoso onde a criança pode ter contato com a ARTE NONSENSE, até então feita para adultos.

Traduzindo poemas de Lear e de Carrol, Augusto de Campos cria um rico mundo de novas descobertas e possibilidades para a ARTE INFANTIL.

Neste mesmo trabalho há poemas do próprio Augusto de Campos, Haroldo de Campos, Luís Turiba,  Paulo Leminski e Walter Silveira.

Lewis Carrol é criador do clássico ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS. Edward Lear criador do gênero "nonsense". Suas obras “A Book of Nonsense” (1846) e “Nonsense Songs, Stories, Botany and Alphabets” (1871) contêm poemas e ilustrações de sua autoria.

Diante deste princípio nasceu CRIANÇA CRIONÇA, utilizando-se dos jogos de linguagens e dos poemas destes mestres citados.

Para uma nova geração, que nasce diante de uma sociedade completamente hiperativa em todas as atividades, que tem contato com os mais vazios dos conteúdos, poder deparar com um conjunto de obras musicadas em perfeita consonância é realmente ganhar um valioso presente que nem todos os dias chega até nossas mãos.

Esta obra traz à tona um LEITOR-OUVINTE, que pode descobrir outros caminhos.

Para ter uma vaga e deliciosa ideia, a música carro-chefe deste CD - CRIANÇA CRIONÇA faz-se valer das modas de viola, combinando violão e viola de dez cordas, mandolim e harpa midi que deixa um ar  de camuflagem dos sentidos. um toque de sonhos...

Afinal, ARTE para CRIANÇAS não é BRINCADEIRA!!!

Aqui uma pequena mostragem...









Partilhando uma possibilidade para grandes divagações em salas de aulas.
As mais belas filosofias surgem de tudo aquilo que nem sempre é visível, mas que pode vir a sê-lo.

sábado, 21 de janeiro de 2012

Criando crianças de bom coração

crianças Abaixo, estão palavras lindas que espero que sirvam de exemplo para reconstruir nossa sociedade, que hoje anda na contramão, e, para que os pais se conscientizem em deixar valores de bondade à seus filhos.

“Bondade não está na moda. Crianças boazinhas passam a impressão de que estão com medo ou são meio lerdinhas. Por que isso? Porque os contravalores que a sociedade está construindo e a mídia divulgando são outros. Vencer é melhor. Ser o mais rápido, mais esperto ou mais forte é alvo da molecada. As mensagens divulgadas estão impregnadas dessas idéias, enquanto as que valorizam o “bom coração” nem aparecem.

Minha avó já dizia: “Marcos, vá brincar com aquele menino, ele tem bom coração.” Eu ia. Mesmo sem saber o que realmente isso significava. E as brincadeiras eram muito legais, a gente se divertia muito. Quando eu brincava com alguém que não recebia esse título, logo desistia. Eram brincadeiras de empurrar, bater, sacanear alguém, jogar pedras em cachorros, quebrar vidraças. Parecia diversão, mas não era. Ficava aquele gostinho de “eu não devia estar fazendo isso”. Minha consciência pesava. Fazer o mal a alguém ou a algum animal para se divertir não era certo, nem no passado nem hoje. Ninguém precisa da dor do outro para rir. Podemos rir de tantas outras coisas. Podemos rir de nós mesmos e das nossas trapalhadas. Humilhar alguém para aparecer na turma, para ser o “popular” não é o caminho ao qual devemos incentivar nossos filhos.

Como ensinar os valores corretos? Falando, explicando, mostrando o que é humilhação, mostrando a dor do outro e fazendo nossos filhos refletirem a respeito. Esse é o começo. Além disso, podemos incentivar e elogiar todas as vezes que nossos filhos apresentarem algum comportamento solidário, honesto ou de caráter. Isso os fará perceber que o caminho para a maturidade está na construção e não na destruição. Está em agir de forma a aproximar as pessoas ao invés de afastar.

Recentemente estive conversando com um empresário em um vôo para São Paulo. Conversávamos sobre contratação e demissão. Como é difícil acertar. Um dos critérios que ele utiliza para demitir é a forma como o funcionário fez amigos ou inimigos dentro da empresa. Tem gente muito chata, meticulosa, legalista, mas ajuda é solidário. Outros são barulhentos, divertidos, falastrões, mas não ajudam ninguém, são egoístas e autocentrados. Ficam esperando elogios ao invés de trabalhar e de levar outros consigo para a vitória. Querem vencer sozinhos. Esses não permanecem na empresa. Os que ficam são aqueles que, não importando a personalidade que tem, são amigos, batalhadores, que elogiam os colegas quando acertam e criticam quando erram, mas o fazem discretamente. Pessoas assim não crescem por acaso, não tem sucesso por sorte. Crescem porque desde a infância aprenderam a valorizar o outro. São pessoas de “bom coração”. ”

(Revista Viver Curitiba, 2010)

Fonte: http://opiniaosa.wordpress.com/2011/12/10/educacao-infantil-criando-criancas-de-bom-coracao/

Imagem: Blog Lysuziereflection

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

EM QUAL ESTAÇÃO PERDEMOS O TREM...

Gosto de prosear.

Quem proseia coloca naquilo que fala uma dose a mais de sentimento, energia, mágica. Retira de dentro o que há de mais profundo e simples, sem muito compromisso com teorias, mesmo sabendo que estas são importantes.

É sempre bom ter alguém para prosear e rever conceitos que sempre surgem nas divagações das prosas.

Às vezes as prosas têm rumo certo. Há vezes que vão tão longe que não se chega a resposta alguma e sim deixam mais perguntas... mas dizem que o que move o mundo são as perguntas então, que haja prosa para uma pergunta a mais, sempre!

Dias desses estava proseando com Rubem, sim, o ALVES - RUBEM ALVES.
Muitas vezes proseio com ele. Ele em seus livros e eu com meus olhos, atenta em todas as extensões de suas palavras.

Ele também proseava comigo, dizendo-me assim :


"Se fosse ensinar a uma criança a beleza da música
não começaria com partituras, notas e pautas.
Ouviríamos juntos as melodias mais gostosas e lhe contaria
sobre os instrumentos que fazem a música.
Aí, encantada com a beleza da música, ela mesma me pediria
que lhe ensinasse o mistério daquelas bolinhas pretas escritas sobre cinco linhas.
Porque as bolinhas pretas e as cinco linhas são apenas ferramentas
para a produção da beleza musical. A experiência da beleza tem de vir antes".

Então fiquei a pensar - EM QUAL ESTAÇÃO PERDEMOS O TREM? 

O trem da EDUCAÇÃO descarrilhou, perdeu os freios, saiu dos trilhos, revirou os dormentes... levantou cancelas e passou direto por muitas estações.

O amigo com quem detive-me à prosa fez-me pensar no desencantamento que a escola sofreu nos últimos anos por parte de todos seus elementos (aluno, professor, direção, políticas públicas, família).

Se antes tínhamos uma EDUCAÇÃO austera, dogmática, reprodutora e com ela o silenciar dos alunos e suas estáticas atuações hoje temos uma EDUCAÇÃO absolutamente livre e dinâmica carregada de teorias mas quem está estático e desprovido de atuação são os professores.

Talvez precisemos fazer como o grande Rubem, ensinar primeiro a beleza seja ela qual for - das flores, dos sonhos, da vida... semear as origens que aos poucos foram se perdendo, porque os infantes de hoje são absolutamente diferentes daqueles de décadas atrás.

O dinamismo da sociedade fez com que toda sua estrutura mudasse.

A família mudou e é de dentro dela que saem os alunos nossos de cada dia.

O aluno, hoje, vem abastecido de tudo aquilo que não precisamos como material didático em sala de aula. Traz consigo a desestrutura familiar, a fome, a miséria social absoluta tanto na amplitude  material quanto nas questões que vão para além da matéria.

E para isto há que se rever de dentro para fora, enquanto educador, saber se antes de encantar o aluno este mestre/professor sabe se encantar, contemplar a beleza de ensinar, se ele está ou foi preparado para ouvir junto com seus educandos as mais belas melodias, juntos, para só então adentrar na tão difícil ARTE de ensinar sistematicamente.

A caminhada ainda é grande! Os caminhos cheios de bifurcações. Impasses de que a culpa não é de ninguém, quando na verdade todos nós somos responsáveis.

Com olhar sereno, de quem passou muitos anos em salas de aula e com uma criticidade muito grande tento todos os dias arregaçar as mangas e não deixar a impotência me dominar.

Há soluções, porém não há fórmulas mágicas!

Professor não é sacerdócio. É uma profissão que sempre viveu à beira de abismos.

Sabe-se todo aquele que agarra este trabalho que quem entra na chuva molha-se todos os dias em que esta cai.

Não sei mesmo dizer em qual estação fiquei esperando o trem passar, mas o que ouvi foi só o ruído da máquina ao longe... apenas sei que talvez um outro passe, mais moderno, mais autêntico, mais cheio de passageiros dispostos a uma boa prosa, a partilhas, ao encantamento dos sonhos, mesmo aqueles que foram desfeitos...

Piui...Piui...Piui... 

Vamos subir ao EXPRESSO ORIENTE que nos levará a uma viagem entre o TEMPO e o ESPAÇO e que esta viagem possa nos abastecer de ESPERANÇAS para continuarmos a saga da EDUCAÇÃO.


                                                                                                                          (Malu Silva)










sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Sinto pena dessa juventude

 

Este não é um texto sobre educação, mas se lerem nas entrelinhas a falta da mesma será aí encontrada.

Há circunstâncias que não podem ser mudadas pelas pessoas comuns, como as falhas das políticas públicas de educação, mas a mudança também pode e deve vir dos pais e professores do ensino fundamental para que os futuros jovens não se enquadrem no que o professor Antonio, de forma contundente, expõe neste texto.

 

tribos Cedo aprendi que o "sentir pena" não era um bom sentimento, estaria ligado à inação, à incapacidade de aliar a compaixão com a ação de ajuda efetiva. Mas, eu sinto pena dessa juventude, dividida por tribos, assumindo estereótipos e posturas morais que estão distantes das melhores, tentando encontrar caminhos que não os levam a lugar algum.

Sinto pena dessa juventude, quando rapazes e moças dissociam o sexo da contrapartida afetiva, encontrada nas relações construídas, buscando vivenciar emoções que mais tarde verificarão serem efêmeras.

Sinto pena dessa juventude, quando vejo a unidade familiar destroçada pelo abandono dos pais, pela disseminação das drogas, por políticas públicas equivocadas, pela alienação que parece se alastrar de forma epidêmica e pelo uso da vodka com energéticos, que os fazem pular enlouquecidos durante toda a noite, como que em uma dança tribal ancestral, que pudesse afastar os seus medos, sem saberem, que apenas estão conseguindo postergar seus futuros, se tiverem algum, e enfraquecendo os seus frágeis corpos e as suas frágeis mentes.

Sinto pena dessa juventude, exposta a todo o tipo de violência, sem destino e sem remetente, que lhes ceifa as vidas, fornecendo dados às estatísticas que justificarão as suas ausências na vida adulta.

Sinto pena dessa juventude, que escolhe viver as suas orientações sexuais, inseridos em uma sociedade hipócrita e perversa, que finge aceitá-los, para parecerem politicamente corretos.

Sinto pena dessa juventude que se aglomera com esforço em faculdades noturnas, com ensino de péssima qualidade, que não lhes garantirão conhecimento e nem habilidades que os ajudem a ascender profissionalmente.

Sinto pena dessa juventude, que de "vacilo em vacilo”, sai vagando pela vida se colocando nas mãos frias e pegajosas do acaso, e como diria o poeta Luiz Melodia, ainda por cima, " sem o auxílio luxuoso de um pandeiro "

Professor Antonio Carlos Muniz Macedo

Fonte: http://observatoriodaexperiencia.blogspot.com/

Imagem: fashionbubbles.com