segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Carta de um professor desiludido

bagunça Se a educação, de um modo geral e não apenas a oferecida pelas escolas, não mudar, este país está perdido. Este é um depoimento real de um professor dos nossos dias que retrata perfeitamente o que a maioria dos professores tem de aturar em sala de aula e de pais de alunos.

Professores, uni-vos, façam alguma coisa!

Caro Juremir!

Meu nome é Maurício Girardi. Sou Físico. Pela manhã sou vice-diretor no Colégio Estadual Piratini, em Porto Alegre, onde à noite leciono a disciplina de Física para os três anos do Ensino Médio. Pois bem, olha só o que me aconteceu: estou eu dando aula para uma turma de segundo ano. Era 21/06/11 e talvez pela entrada do inverno, resolveu também ir à aula uma daquelas alunas “turista” que aparece uma que outra vez para “fazer uma social”. Para rever os conhecidos.

Por três vezes tive que pedir licença para a mocinha para poder explicar o conteúdo que abordávamos. Parece que estão fazendo um favor em nos permitir um espaço de fala. Eis que após insistentes pedidos, estando eu no meio de uma explicação que necessitava bastante atenção de todos, toca o celular da menina, interrompendo todo um processo de desenvolvimento de uma idéia e prejudicando o andamento da aula. Mudei o tom do pedido e aconselhei aquela menina que, se objetivo dela não era o de estudar, então que procurasse outro local, que fizesse um curso à distância ou coisa do gênero, pois ali naquela sala estavam pessoas que queriam aprender e que o Colégio é um local onde se vai para estudar. Então, a “estudante” quis argumentar, quando falei que não discutiria com ela. Neste momento tocou o sinal e fui para a troca de turma.

A menina resolveu ir embora e desceu as escadas chorando por ter sido repreendida na frente de colegas. De casa, a mãe da menina ligou para a Escola e falou com o vice-diretor da noite, relatando que tinha conhecidos influentes em Porto Alegre e que aquilo não iria ficar assim. Em nenhum momento procurou escutar a minha versão nem mesmo para dizer, se fosse o caso, que minha postura teria sido errada. Tampouco procurou a diretora da Escola. Qual passo dado pela mãe? Polícia Civil! Isso mesmo, tive que comparecer no dia 13/07/11 na oitava delegacia de polícia de Porto Alegre para prestar esclarecimento por ter constrangido (?) uma adolescente (17 anos), que muito pouco freqüenta a aula e quando o faz é para importunar, atrapalhar seus colegas e professores. A que ponto que chegamos? Isso é um desabafo.

Tenho 39 anos e resolvi ser professor porque sempre gostei de ensinar, de ver alguém se apropriar do conhecimento e crescer. Mas te confesso, está cada vez mais difícil. Sinceramente, acho que é mais um professor que o Estado perde. Tenho outras opções no mercado. Em situações como essa, enxergamos a nossa fragilidade frente ao sistema. Como leitor da tua coluna, e sabendo que abordas com freqüência temas relacionados à educação, te peço que dediques umas linhas a respeito da violência contra o professor.

Parabéns pelo teu trabalho e um grande abraço!

Maurício Girardi

Fonte: http://www.cpers15nucleo.com.br/index.php?id=art892

Imagem: leilacordeiro.blogspot.com

sábado, 11 de fevereiro de 2012

O sorriso dos professores e professoras

 

José María Toro

CriancaSorrindo O sorriso de uma criança que está feliz na escola não tem preço. O sorriso de um professor que é feliz na escola .... isso tampouco tem preço.

O sorriso deve ser considerado um elemento tipicamente escolar, tais como livros, cadernos, lápis e quadros negros. Hoje, talvez mais do que nunca, é preciso devolver o sorriso para os rostos de meninos e meninas e ao semblante de seus professores.

A presença ou não de sorrisos é um dos mais fiéis e sensíveis barômetros para medir o nível de pressão (ou opressão) na atmosfera de una classe. O sorriso é um termômetro preciso que reflete a calidez ou frialdade do encontro humano no qual se mantém um determinado modo de intervenção pedagógica. O sorriso marca nas faces de alunos e professores, de pais e filhos, qual é a temperatura com que se cozinha o processo educativo.

Nossas classes podiam ser entendidas, consideradas e vividas como um campo de cultivo de sorrisos. Fui reconhecendo que, como professor, estava chamado a ser, em certo modo, um semeador de sorrisos, um cultivador de alegrias. Por isso procurava que o primeiro que encontrassem as crianças cada manhã, ao começar uma nova jornada escolar, fosse meu sorriso. Esta era, conscientemente, minha primeira atividade ou lição do dia: a energia do sorriso, o presente do sorriso, a arte de sorrir, mas, sobretudo, o direito ao sorriso.

O sorriso é também uma energia que é preciso atender, enfocar, ativar e cultivar.

O sorriso constitui um extraordinário alimento que há de estar presente e servir-se à mesa de cada dia. É um remédio que atua de maneira fulminante e eficaz, é a vitamina por excelência para nosso coração.

O sorriso aplaina e abre o caminho para chegar aos demais e nos abre suas portas. Desenhar um sorriso no momento do encontro é como dizer: Aqui estou! Quem devolve o sorriso não está senão respondendo: “Passa e entra”. O sorriso põe a chave e abre a porta.

Eu presenteava a meus alunos meu sorriso e eles o devolviam multiplicado. E fomos polindo-os, limpando-os, distinguindo-os desses outros sorrisos moldados pela malicia, sarcasmo, cinismo, mordacidade ou acritude.

Quando um menino ou uma menina sorria ante minha presença sentia que com ele ou ela era toda a Criação, o Universo inteiro o que se regozijava em seu sorriso.

Cada vez que sorria a uma criança lhe estava dizendo: “Gosto de estar aqui”.

Cada vez que uma criança me sorria estava dizendo-me: “Sou feliz estando aqui e contigo”.

Esta é uma das máximas felicidades deste trabalho: escutar como cantam e como riem as crianças que se vão depois de haver passado toda uma manhã contigo.

(Extraído do livro “Educar con Co-razón”. Editorial Desclée)

José María Toro é professor de ensino primário e especialista em criatividade, técnicas de estudo e em distintos âmbitos da Expressão e Comunicação. Autor e palestrante.

Fonte: http://www.enpaz.com/modules.php?name=News&file=article&sid=390

Imagem: camaqua.rs.gov.br

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

ARTE PARA CRIANÇAS...







(Imagem da Prefeitura Municipal de Varginha - Um dos Projetos Infantis aprovado pelo COMIC )

É notável que um grande escritor, antes de mais nada, será sempre o sábio leitor. Aquele que lê, saboreando cada palavra na semântica e na sintaxe, mesmo que imperceptivelmente.

Bem, diante de tal afirmação faz-se necessário, desde a mais tenra idade fazer nossas crianças tomarem contato com textos de excelências, com vocábulos ricos, narrativas detalhadas e ao mesmo tempo que possibilitem subjetividades.

Porém vamos adiante!

Assim como nem só de pão vive o homem, mas também de tudo aquilo que alimenta sua alma, não só a LITERATURA infantil tem que ser de suprema qualidade, mas também a ARTE num contexto mais amplo.

Foi assim que surgiu um material de relevância na área musical, tendo por premissa dois nomes imensos -  EDWARD LEAR e LEWIS CARROLL.

Cid Campos, faz versões de textos destes escritores criando um CD maravilhoso onde a criança pode ter contato com a ARTE NONSENSE, até então feita para adultos.

Traduzindo poemas de Lear e de Carrol, Augusto de Campos cria um rico mundo de novas descobertas e possibilidades para a ARTE INFANTIL.

Neste mesmo trabalho há poemas do próprio Augusto de Campos, Haroldo de Campos, Luís Turiba,  Paulo Leminski e Walter Silveira.

Lewis Carrol é criador do clássico ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS. Edward Lear criador do gênero "nonsense". Suas obras “A Book of Nonsense” (1846) e “Nonsense Songs, Stories, Botany and Alphabets” (1871) contêm poemas e ilustrações de sua autoria.

Diante deste princípio nasceu CRIANÇA CRIONÇA, utilizando-se dos jogos de linguagens e dos poemas destes mestres citados.

Para uma nova geração, que nasce diante de uma sociedade completamente hiperativa em todas as atividades, que tem contato com os mais vazios dos conteúdos, poder deparar com um conjunto de obras musicadas em perfeita consonância é realmente ganhar um valioso presente que nem todos os dias chega até nossas mãos.

Esta obra traz à tona um LEITOR-OUVINTE, que pode descobrir outros caminhos.

Para ter uma vaga e deliciosa ideia, a música carro-chefe deste CD - CRIANÇA CRIONÇA faz-se valer das modas de viola, combinando violão e viola de dez cordas, mandolim e harpa midi que deixa um ar  de camuflagem dos sentidos. um toque de sonhos...

Afinal, ARTE para CRIANÇAS não é BRINCADEIRA!!!

Aqui uma pequena mostragem...









Partilhando uma possibilidade para grandes divagações em salas de aulas.
As mais belas filosofias surgem de tudo aquilo que nem sempre é visível, mas que pode vir a sê-lo.

sábado, 21 de janeiro de 2012

Criando crianças de bom coração

crianças Abaixo, estão palavras lindas que espero que sirvam de exemplo para reconstruir nossa sociedade, que hoje anda na contramão, e, para que os pais se conscientizem em deixar valores de bondade à seus filhos.

“Bondade não está na moda. Crianças boazinhas passam a impressão de que estão com medo ou são meio lerdinhas. Por que isso? Porque os contravalores que a sociedade está construindo e a mídia divulgando são outros. Vencer é melhor. Ser o mais rápido, mais esperto ou mais forte é alvo da molecada. As mensagens divulgadas estão impregnadas dessas idéias, enquanto as que valorizam o “bom coração” nem aparecem.

Minha avó já dizia: “Marcos, vá brincar com aquele menino, ele tem bom coração.” Eu ia. Mesmo sem saber o que realmente isso significava. E as brincadeiras eram muito legais, a gente se divertia muito. Quando eu brincava com alguém que não recebia esse título, logo desistia. Eram brincadeiras de empurrar, bater, sacanear alguém, jogar pedras em cachorros, quebrar vidraças. Parecia diversão, mas não era. Ficava aquele gostinho de “eu não devia estar fazendo isso”. Minha consciência pesava. Fazer o mal a alguém ou a algum animal para se divertir não era certo, nem no passado nem hoje. Ninguém precisa da dor do outro para rir. Podemos rir de tantas outras coisas. Podemos rir de nós mesmos e das nossas trapalhadas. Humilhar alguém para aparecer na turma, para ser o “popular” não é o caminho ao qual devemos incentivar nossos filhos.

Como ensinar os valores corretos? Falando, explicando, mostrando o que é humilhação, mostrando a dor do outro e fazendo nossos filhos refletirem a respeito. Esse é o começo. Além disso, podemos incentivar e elogiar todas as vezes que nossos filhos apresentarem algum comportamento solidário, honesto ou de caráter. Isso os fará perceber que o caminho para a maturidade está na construção e não na destruição. Está em agir de forma a aproximar as pessoas ao invés de afastar.

Recentemente estive conversando com um empresário em um vôo para São Paulo. Conversávamos sobre contratação e demissão. Como é difícil acertar. Um dos critérios que ele utiliza para demitir é a forma como o funcionário fez amigos ou inimigos dentro da empresa. Tem gente muito chata, meticulosa, legalista, mas ajuda é solidário. Outros são barulhentos, divertidos, falastrões, mas não ajudam ninguém, são egoístas e autocentrados. Ficam esperando elogios ao invés de trabalhar e de levar outros consigo para a vitória. Querem vencer sozinhos. Esses não permanecem na empresa. Os que ficam são aqueles que, não importando a personalidade que tem, são amigos, batalhadores, que elogiam os colegas quando acertam e criticam quando erram, mas o fazem discretamente. Pessoas assim não crescem por acaso, não tem sucesso por sorte. Crescem porque desde a infância aprenderam a valorizar o outro. São pessoas de “bom coração”. ”

(Revista Viver Curitiba, 2010)

Fonte: http://opiniaosa.wordpress.com/2011/12/10/educacao-infantil-criando-criancas-de-bom-coracao/

Imagem: Blog Lysuziereflection

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

EM QUAL ESTAÇÃO PERDEMOS O TREM...

Gosto de prosear.

Quem proseia coloca naquilo que fala uma dose a mais de sentimento, energia, mágica. Retira de dentro o que há de mais profundo e simples, sem muito compromisso com teorias, mesmo sabendo que estas são importantes.

É sempre bom ter alguém para prosear e rever conceitos que sempre surgem nas divagações das prosas.

Às vezes as prosas têm rumo certo. Há vezes que vão tão longe que não se chega a resposta alguma e sim deixam mais perguntas... mas dizem que o que move o mundo são as perguntas então, que haja prosa para uma pergunta a mais, sempre!

Dias desses estava proseando com Rubem, sim, o ALVES - RUBEM ALVES.
Muitas vezes proseio com ele. Ele em seus livros e eu com meus olhos, atenta em todas as extensões de suas palavras.

Ele também proseava comigo, dizendo-me assim :


"Se fosse ensinar a uma criança a beleza da música
não começaria com partituras, notas e pautas.
Ouviríamos juntos as melodias mais gostosas e lhe contaria
sobre os instrumentos que fazem a música.
Aí, encantada com a beleza da música, ela mesma me pediria
que lhe ensinasse o mistério daquelas bolinhas pretas escritas sobre cinco linhas.
Porque as bolinhas pretas e as cinco linhas são apenas ferramentas
para a produção da beleza musical. A experiência da beleza tem de vir antes".

Então fiquei a pensar - EM QUAL ESTAÇÃO PERDEMOS O TREM? 

O trem da EDUCAÇÃO descarrilhou, perdeu os freios, saiu dos trilhos, revirou os dormentes... levantou cancelas e passou direto por muitas estações.

O amigo com quem detive-me à prosa fez-me pensar no desencantamento que a escola sofreu nos últimos anos por parte de todos seus elementos (aluno, professor, direção, políticas públicas, família).

Se antes tínhamos uma EDUCAÇÃO austera, dogmática, reprodutora e com ela o silenciar dos alunos e suas estáticas atuações hoje temos uma EDUCAÇÃO absolutamente livre e dinâmica carregada de teorias mas quem está estático e desprovido de atuação são os professores.

Talvez precisemos fazer como o grande Rubem, ensinar primeiro a beleza seja ela qual for - das flores, dos sonhos, da vida... semear as origens que aos poucos foram se perdendo, porque os infantes de hoje são absolutamente diferentes daqueles de décadas atrás.

O dinamismo da sociedade fez com que toda sua estrutura mudasse.

A família mudou e é de dentro dela que saem os alunos nossos de cada dia.

O aluno, hoje, vem abastecido de tudo aquilo que não precisamos como material didático em sala de aula. Traz consigo a desestrutura familiar, a fome, a miséria social absoluta tanto na amplitude  material quanto nas questões que vão para além da matéria.

E para isto há que se rever de dentro para fora, enquanto educador, saber se antes de encantar o aluno este mestre/professor sabe se encantar, contemplar a beleza de ensinar, se ele está ou foi preparado para ouvir junto com seus educandos as mais belas melodias, juntos, para só então adentrar na tão difícil ARTE de ensinar sistematicamente.

A caminhada ainda é grande! Os caminhos cheios de bifurcações. Impasses de que a culpa não é de ninguém, quando na verdade todos nós somos responsáveis.

Com olhar sereno, de quem passou muitos anos em salas de aula e com uma criticidade muito grande tento todos os dias arregaçar as mangas e não deixar a impotência me dominar.

Há soluções, porém não há fórmulas mágicas!

Professor não é sacerdócio. É uma profissão que sempre viveu à beira de abismos.

Sabe-se todo aquele que agarra este trabalho que quem entra na chuva molha-se todos os dias em que esta cai.

Não sei mesmo dizer em qual estação fiquei esperando o trem passar, mas o que ouvi foi só o ruído da máquina ao longe... apenas sei que talvez um outro passe, mais moderno, mais autêntico, mais cheio de passageiros dispostos a uma boa prosa, a partilhas, ao encantamento dos sonhos, mesmo aqueles que foram desfeitos...

Piui...Piui...Piui... 

Vamos subir ao EXPRESSO ORIENTE que nos levará a uma viagem entre o TEMPO e o ESPAÇO e que esta viagem possa nos abastecer de ESPERANÇAS para continuarmos a saga da EDUCAÇÃO.


                                                                                                                          (Malu Silva)










sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Sinto pena dessa juventude

 

Este não é um texto sobre educação, mas se lerem nas entrelinhas a falta da mesma será aí encontrada.

Há circunstâncias que não podem ser mudadas pelas pessoas comuns, como as falhas das políticas públicas de educação, mas a mudança também pode e deve vir dos pais e professores do ensino fundamental para que os futuros jovens não se enquadrem no que o professor Antonio, de forma contundente, expõe neste texto.

 

tribos Cedo aprendi que o "sentir pena" não era um bom sentimento, estaria ligado à inação, à incapacidade de aliar a compaixão com a ação de ajuda efetiva. Mas, eu sinto pena dessa juventude, dividida por tribos, assumindo estereótipos e posturas morais que estão distantes das melhores, tentando encontrar caminhos que não os levam a lugar algum.

Sinto pena dessa juventude, quando rapazes e moças dissociam o sexo da contrapartida afetiva, encontrada nas relações construídas, buscando vivenciar emoções que mais tarde verificarão serem efêmeras.

Sinto pena dessa juventude, quando vejo a unidade familiar destroçada pelo abandono dos pais, pela disseminação das drogas, por políticas públicas equivocadas, pela alienação que parece se alastrar de forma epidêmica e pelo uso da vodka com energéticos, que os fazem pular enlouquecidos durante toda a noite, como que em uma dança tribal ancestral, que pudesse afastar os seus medos, sem saberem, que apenas estão conseguindo postergar seus futuros, se tiverem algum, e enfraquecendo os seus frágeis corpos e as suas frágeis mentes.

Sinto pena dessa juventude, exposta a todo o tipo de violência, sem destino e sem remetente, que lhes ceifa as vidas, fornecendo dados às estatísticas que justificarão as suas ausências na vida adulta.

Sinto pena dessa juventude, que escolhe viver as suas orientações sexuais, inseridos em uma sociedade hipócrita e perversa, que finge aceitá-los, para parecerem politicamente corretos.

Sinto pena dessa juventude que se aglomera com esforço em faculdades noturnas, com ensino de péssima qualidade, que não lhes garantirão conhecimento e nem habilidades que os ajudem a ascender profissionalmente.

Sinto pena dessa juventude, que de "vacilo em vacilo”, sai vagando pela vida se colocando nas mãos frias e pegajosas do acaso, e como diria o poeta Luiz Melodia, ainda por cima, " sem o auxílio luxuoso de um pandeiro "

Professor Antonio Carlos Muniz Macedo

Fonte: http://observatoriodaexperiencia.blogspot.com/

Imagem: fashionbubbles.com

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Escola da complexidade

 
complexidade Sempre defendi a máxima “quem educa sempre aprende”. Esse ano, uma aluna, de 15 anos, confessou em uma das redações que propus, que um dos seus sonhos, além de ser médica e conhecer sua banda de rock favorita, era poder seguir a vida sendo ela mesma. Fiquei algum tempo pensando naquela frase, questionando qual seria o nosso papel. Afinal, o que a escola pode contribuir para o autoconhecimento e formação do aluno? Acredito também, que o fato de termos vivenciado a escola de uma determinada maneira, não nos impede de repensar nossa atuação. É fundamental discutir a relação professor e aluno e, consequentemente, o significado da expressão “ensino-aprendizagem”, reconhecer a importância dessa relação e reinventar a escola e o seu papel humano de comunicar e formar pessoas.
Os materiais humanos que temos em mãos, as diversas culturas, personalidades, interesses e vivências compõem um mosaico potencialmente belo e enriquecedor, que sem sombra de dúvidas poderiam conquistar um olhar mais atencioso de qualquer educador. Mas esse caldeirão de possibilidades está fadado a uma terrível dicotomia: os hábitos classificadores estão treinados em rotular os destinados ao fracasso e ao sucesso. Nota vermelha ou azul.
Como resultado dessa ausência de reformulações colhemos uma tensão entre todos aqueles que compõem o cenário educacional. O atual sistema, em muitas situações, ainda impõe aos professores um perfil nada amigável, observado inclusive na própria infraestrutura das instituições educacionais, com seus muros altos, grades, cadeados ou portas fechadas. Não como forma de proteção, mas sim de controle, representado também por proibições do tipo: permissão para ir (ou não) ao banheiro, para não falar “gracinha”, para não se expressar, para se manter sentado (e concentrado). Quem nunca conheceu um professor, que tinha em seu discurso um tom ameaçador? Ameaçar é desmoralizar. Se a ameaça se torna relevante no método de ensino está estagnada qualquer possibilidade de educar. Daí, é natural que os estudantes vejam os "professores" como meros capatazes, reprodutores de conhecimento, e não educadores. O instrucionismo, que não confia no estudante, que não o responsabiliza e não estimula a autonomia, só força o condicionamento e a memorização. Jamais poderá gerar o autoconhecimento, que a minha aluna necessita para que siga em frente sendo ela mesma.
O saber carece de sentido para estar integrado ao conteúdo. Não são os simples conhecimentos que dão sentido à vida e estimulam o interesse na escola, mas o valor empregado nesses processos de aprendizagem e contextualizações humanas. Não podemos continuar insistindo em velhas fórmulas defendidas ainda com paixão, mas que colocam uma divisão entre o saber da vida e o pedagógico, deixando os estudantes à mercê de um discurso carente de sentido para eles. Afinal, qual é o sentido de acomodar essas deficiências?
Muito ainda se deve discutir e propagar sobre as implicações das nossas ações em um ambiente de aprendizagem. Compreender e pensar sobre novos sentidos e dimensões, novas tentativas. Vamos refletir para além das burocratizações profissionais necessárias, trazer à tona o que é importante para a prática docente questionando quais os atributos possuímos para melhorarmos nossa atuação como mediador, a fim de para alcançar novas dimensões para a sala aula.
Aqui, o trailler do filme “Entre os Muros da Escola” (que venceu a Palma de Ouro no Festival de Cannes em 2008). Retrata bem o tema abordado. É a história de um professor que se vê diante de uma turma de alunos bagunceiros e acredita que conseguirá “domá-los”, mesmo que seus colegas professores tentem desanimá-lo. Entre esses alunos estão estereótipos facilmente identificáveis: o menino que tem problemas com os pais, aquele outro que é mais tímido, uma garota que é a porta-voz da turma, o bagunceiro de plantão, e por aí vai. Indico que o assistam na íntegra.
Cleide Monteiro
Imagem: complexidade.ning.com